A escassez dos recursos hídricos é assunto que sempre vem à tona com as estações mais secas do ano. Em 2021, novos alertas reforçam a urgência de debater novas práticas de redução e consumo consciente da água. De acordo com o levantamento realizado pela MapBiomas, a superfície de água no Brasil reduz 15% desde o início dos anos 90. A utilização de áreas verdes para as atividades de pecuária e agricultura e a construção de represas e barragens hidrelétrica são fatores que mais contribuem para a diminuição do fluxo hídrico.

Como mostrou o estudo divulgado, ao todo, a retração da superfície coberta com água no Brasil foi de 15,7% desde o início dos anos 90, caindo de quase 20 milhões de hectares para 16,6 milhões de hectares em 2020. A MapBiomas ressalta também que essa embora essa totalidade seja equivalente às dimensões do estado do Acre ou ainda igual a quase 4 vezes o estado do Rio de Janeiro, desde 1991, quando chegou a 19,7 milhões de hectares, houve uma redução de 15,7% da superfície de água no país. A perda de 3,1 milhões de hectares em 30 anos equivale a uma vez e meia a superfície de água de toda região nordeste em 2020. (Fonte: MapBiomas)

Além de políticas públicas para a exploração de recursos naturais, a redução da utilização é um dos pontos chaves para medidas mais efetivas para o consumo consciente. Nos centros urbanos – cada vez mais verticalizados – a participação dos condomínios é fundamental para dar força a essa corrente do bem. Algumas estratégias – que podem exigir um pouco de planejamento, mas estão ao alcance de condomínios de todas as dimensões, podem ser colocadas em prática sem muitas dificuldades. Vamos a elas!

1: Comunicar para conscientizar

Água mole em pedra dura…. tanto bate até que fura! Campanhas de comunicação são indispensáveis para essa jornada. A utilização de recursos naturais de forma mais consciente deve sempre ser pauta de reuniões de assembleia, comunicados em elevadores e até ações em parceria com administradoras e com a comunidade em geral. Fazer um alerta ao desperdício é importante tanto para a utilização da água nas áreas comuns quanto nas independentes. Cada gota conta!

2: De olho na manutenção

A manutenção preventiva é fundamental para identificar vazamentos, fugas e outros problemas que podem representar desperdício. Principalmente em edificações mais antigas, que podem exigir reparos mais constantes, verificar caixas d’água, pontos de saída de água e tubulações, o desempenho dos equipamentos e a validade de sistemas e peças deve fazer parte do calendário de inspeções.

3: Sistema de captação de água da chuva

Como falamos neste post, entre as medidas que tenham como objetivo a defesa do meio ambiente e a responsabilidade social, a implantação de sistemas de reuso de água e de captação pluvial podem representar alternativa bastante eficaz para as práticas de sustentabilidade e redução de despesas das áreas comuns do seu condomínio. Entre outras vantagens, os sistemas de captação de água de chuva têm baixo custo e é possível que o condomínio consiga armazenar entre 80 litros e 16 mil litros de água.

4: Hidrômetros individuais e mais tecnologia

A instalação de hidrômetros individuais é aposta para reduzir o consumo e garantir que valores sejam pagos com mais precisão. Acompanhar os gastos individuais mês a mês é importante também para que as famílias verifiquem seus hábitos e repensem o consumo. Os sistemas já são obrigatórios para novas edificações em grande parte do país, mas condomínios mais antigos também podem usufruir dos benefícios com algumas adaptações e alterações. O investimento vale a pena, tanto para o meio ambiente como para a diminuição dos custos, já que o consumo de água pode representar grande parte dos gastos do condomínio. Além dos hidrômetros, sistemas tecnológicos podem auxiliar a gestão do síndico ao acompanhar a evolução do consumo, identificar vazamentos ou utilização desproporcional, padronizar relatórios, entre outras funções.

5: Investir em novos equipamentos

Torneiras, vasos sanitários, chuveiros e outros equipamentos mais antigos podem representar consumo desnecessário. A troca, tanto em áreas comuns, quanto nas unidades é investimento importante para reduzir o consumo e gastos no fim do mês.

Como informa o blog Casa & Construção, enquanto vasos sanitários com válvula de descarga tradicionais, instaladas na parede, podem gastar em média, cerca de 18 litros de água, um vaso sanitário com caixa acoplada por gastar cerca de 2/3 a menos. O acionamento duplo, em que é possível escolher a quantidade de água a ser utilizada, é outro recurso diferencial. Também torneiras mais “inteligentes”, com temporizador e controle de vazão, por exemplo, podem diminuir o volume de água utilizado em até 80% se comparadas às torneiras de banheiro tradicionais.

Outra substituição fundamental é para o chuveiro. A conta é simples: Se um adulto consome cerca de 150 litros de água por dia, em uma apartamento onde há três moradores, por mês, elas gastarão cerca de 13,5 mil litros; sendo de 8 mil litros serão gastos apenas com chuveiros e torneiras (Fonte: C&C). Ao impedir a passagem de água para além de volumes pré-estabelecidos, controladores de vazão podem economizar cerca de 80% da água consumida no chuveiro elétrico.